segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Fernando Haddad é eleito o novo prefeito de São Paulo

Após 12 anos, o PT voltou a vencer uma eleição na maior cidade do País. Neste domingo 28 o ex-ministro da Educação Fernando Haddad, de 49 anos, foi eleito prefeito de São Paulo com 55,94% dos votos contra 44,06% do tucano José Serra. Cerca de 93% das urnas estavam apuradas quando o resultado foi anunciado oficialmente. O ex-governador, ex-prefeito e ex-presidenciável protagoniza assim uma das mais duras derrotas do PSDB em seu principal reduto eleitoral. 



Haddad, ungido candidato pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, será o terceiro petista a governar a metrópole. Repete em 2012 os feitos de Luiza Erundina, em 1988, e Marta Suplicy, em 2000. Nos três casos o partido triunfou nas urnas após o eleitor demonstrar cansaço com a força política até então vigente. Erundina foi eleita depois do insosso governo Jânio Quadros e Marta, após oito anos da dobradinha Maluf-Pitta. A vitória de Haddad acontece num momento de má avaliação do atual prefeito, Gilberto Kassab (PSD), pupilo e sucessor de José Serra. Um dos principais nomes do PSDB, Serra chegou à segunda derrota em dois anos (em 2010, perdeu a disputa pela Presidência para Dilma Rousseff) e atingiu em 2012 um índice de rejeição superior a 50% dos eleitores, o que indica o esgotamento de sua força política em sua própria base.

Haddad liderou as pesquisas de intenção de voto durante todo o segundo turno. Ele começou a campanha com 3% das preferências e desbancou na reta final da primeira fase o então líder Celso Russomanno (PRB). Serra, que encerrou o primeiro turno à frente, teve dificuldade em convencer o eleitor de que, desta vez, cumpriria o mandato até o fim – em 2006, ele deixou o posto após dois anos para se candidatar ao governo do estado.


Em desvantagem nas pesquisas, Serra, que lançou seu programa de governo a poucos dias da votação, elevou na reta final o tom contra o adversário petista ao tentar associá-lo com o escândalo do “mensalão”, julgado hoje pelo Supremo Tribunal Federal e que funcionou em meados de 2003, quando Haddad era professor de Teoria Política da Universidade de São Paulo. A estratégia tucana soou “falsa e oportunista”, nas palavras até mesmo de Roberto Jefferson, o delator do “mensalão”.


O tucano se desgastou ainda ao se aliar ao pastor Silas Malafaia, líder religioso que ganhou notoriedade por incitar a violência contra gays. Ele levou ao centro do debate a mal sucedida tentativa do Ministério da Educação de distribuir uma cartilha anti-homofobia nas escolas, chamada preconceituosamente como “kit gay”. Para Serra, o material incentivava a prática do “bissexualismo” entre os alunos. A ideia era espalhar a ideia de que, caso eleito, o “kit” seria ressuscitado em São Paulo. A tentativa, mostraram as urnas, também não funcionou.


Haddad foi escolhido candidato pelo ex-presidente Lula após sua passagem pelo Ministério da Educação, quando ampliou o Enem, consolidou o Prouni e bancou o Plano Nacional da Educação, antiga demanda da sociedade civil que, entre outros pontos, prevê metas específicas de investimentos no setor. A exemplo do que havia feito com a então ex-ministra Dilma Rousseff dois anos atrás, Lula projetou em Haddad a “novidade” para rejuvenescer o quadro petista na maior cidade do País.


Dito por muitos como azarão durante boa parte da disputa, Haddad só se tornou favorito na virada do segundo turno. Ele contou com o apoio de Gabriel Chalita (PMDB), quarto colocado na disputa, e foi beneficiado pela neutralidade anunciada por Russomanno. Herdou naturalmente os votos dos ex-rivais sem precisar posar em fotos ao lado do ex-candidato do PRB, a quem combateu durante o primeiro turno.


Desde então, não deixou mais a liderança da corrida. Com o resultado, Serra terá agora de digerir a sua maior derrota política e tende a se isolar no PSDB. Em 2014, tudo indica que o partido não dará a ele uma terceira chance na disputa pela Presidência. Como o governador Geraldo Alckmin (PSDB) é o candidato natural para a reeleição, Serra só teria chance de disputar um cargo majoritário em 2016, quando terá 74 anos.


Os rivais também não o perdoaram. Ao votar pela manhã, Marta Suplicy, derrotada por Serra em 2004, afirmou que “desta vez (José Serra) se enforcou com a própria corda”. “Ficaram evidentes as armadilhas que fazia, a pessoa que ele é. Foi bom ver que os paulistanos perceberam e deram o troco”.

Para o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, batido em 2006 para Serra na disputa pelo governo paulista, esta é a maior derrota da história do PSDB em eleições municipais.


Como previsível, no entanto, o “enterro” de Serra não foi anunciado oficialmente. Kassab, por exemplo, manifestou apoio ao padrinho político pouco após o resultado das urnas. Para ele, o tucano é “uma das pessoas mais preparadas e que mais ocupou cargos de destaque no Brasil”. “Ele vai continuar contribuindo para o País”, disse o prefeito. Se o prognóstico tem base lógica, só a história dirá.


Fonte: Por Carta Capital

Domingo, 28 de outubro de 2012
*Com reportagem de Gabriel Bonis, Piero Locatelli, Marcelo Pellegrini e Matheus Pichonelli

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