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sexta-feira, 20 de abril de 2012



A Sessão Ordinária realizada nesta terça-feira (18), com a presença de todos os vereadores, o projeto de lei de autoria do Executivo nº 88/11, que dispunha sobre doação com encargo de área de terreno à Unimed Campinas, Cooperativa de Trabalho Médico foi rejeitado. A lei só seria aprovada pela casa se houvesse dois terços de aprovação, ou seja, sete votos no total.


Custódio foi um dos vereadores que votaram contrários ao projeto. “Defendo que projetos como esse devam ser mais bem debatidos e que aja mais critérios quanto da doação de áreas municipais”. Diferentemente do que vem sido divulgado pela imprensa governista, o projeto foi rejeitado por Custódio e mais três vereadores por entenderem que doação de áreas públicas deva estar sendo utilizadas em prol da população como um todo, e não somente para uma pequena parcela específica.

Seria doado para a cooperativa médica um terreno de 23.845,15 metros quadrados, sendo o metro quadrado avaliado pela Prefeitura a R$91,54,num total de R$ 2.182.785,03. No artigo 3º do PL, fala que esta empresa usará a área para desenvolvimento sócio econômico e implantação de serviços de saúde.

Além da doação de área, a empresa deveria receber isenção integral de IPTU (Imposto Sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana) por 10 anos e redução do ISSQN (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza) a uma taxa de 2%, recebendo ainda toda a infra-estrutura, ou seja, quase nada de impostos seriam pagos, e que poderiam ser revertidos em benefícios para a população.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Artigo O Globo – O poder da mediação


Não existe Executivo eficiente com Congresso fraco. Não existe Judiciário independente com Congresso fraco. Sem um Congresso altivo, não existe sequer imprensa livre. Na democracia, o Poder Legislativo cumpre indelegável papel de fiscalizar o governo, de aprimorar o ordenamento jurídico e, principalmente, de promover os grandes debates nacionais.

Ingrediente absolutamente indispensável na organização política da sociedade é o diálogo. Uma sociedade que não “conversa” não consegue gerir de forma coerente a diversidade de interesses e forças que a compõem. Estabelecer as pontes entre ideias diferentes, contrapor interesses muitas vezes antagônicos na busca de consensos é a atribuição primordial do Poder Legislativo.

A negociação é a essência da atividade parlamentar. Aqui não existe “eu quero” ou “eu sei”, mas o “veja bem”. Aqui se pratica a constante ponderação entre as muitas verdades que a realidade nos impõe. Isso implica decisões muitas vezes demoradas, em alguns casos impasses quase insuperáveis. Decidir é importante, mas debater é fundamental.

Aliás, é o debate, e não a letra fria da lei, que tem o poder de operar as verdadeiras mudanças na sociedade. O diálogo lubrifica as complexas engrenagens de articulação política que organizam as vontades dos indivíduos e grupos para dar uma direção ao conjunto. Essa é a diferença entre as leis que “pegam” e as leis que “não pegam”.

Mesmo quando não há consenso, os embates patrocinados pelo Congresso lançam luzes sobre temas, que levam a sociedade a amadurecer sobre direitos e costumes que passam a ser incorporados, inclusive pela Justiça.

Mais que em qualquer outra instituição, aqui o contraditório é estabelecido de forma aberta, e muitas vezes apaixonante, ajudando a sociedade a compreender melhor seus problemas e encontrar soluções mais adequadas.

A política nacional de saneamento, o Estatuto das Cidades, o programa do Biodiesel, a Lei do Lixo, a tolerância zero para motoristas alcoolizados e o marco regulatório do pré-sal são exemplos de iniciativas do Poder Legislativo que se transformaram em políticas públicas de sucesso.

O Legislativo compõe o alicerce institucional seguro no qual se assenta o arcabouço de regras estáveis e o conjunto de políticas públicas corretas que explicam parte do sucesso do país em se projetar como grande potência mundial. E revelam uma grande maturidade do nosso sistema político.

O sistema representativo é o modo como recrutamos nossos dirigentes. Por meio dele, a sociedade coloca e retira seus representantes das cadeiras de poder. As denúncias sobre os malfeitos cumprem, desse modo, papel importante na seleção dos representantes. E por isso mesmo não podem servir apenas para desqualificar a atividade política de forma indiscriminada, tirando do cidadão a capacidade de diferenciar quem merece e quem não merece sua confiança.

Os atores políticos apenas operam na arena do poder. Não é a política a fonte dos desvios, mas o poder em suas diversas facetas: poder econômico, poder legal, poder coercitivo, poder moral, poder político. A política serve para mediar a enorme força que o exercício do poder tem sobre os indivíduos, e a democracia uma fórmula pensada para que sua prática se aproxime ao máximo dos interesses da coletividade.

CANDIDO VACCAREZZA é deputado federal (PT-SP)
Publicado no jornal O GLOBO em 12/04/2012

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Presidente do Ipea será o candidato do PT em Campinas

O presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas, o economista Márcio Pochmann, venceu as prévias do PT em Campinas e será o candidato do partido nas eleições de outubro.

O resultado oficial foi anunciado pela direção petista neste sábado (14) por volta das 22h30.

Indicado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Pochmann teve 1.088 votos de um total de 1.555 eleitores petistas que votaram na eleição interna.

Ele venceu o ex-deputado estadual Sebastião Arcanjo, o Tiãozinho, que ficou com 428 votos. Foram 26 votos em branco e 13 nulos.

O presidente do PT de Campinas, Ari Fernandes, afirmou que o partido já decidiu internamente que Pochmann será o cabeça de chapa nas eleições. “Estamos buscando alianças, mas não abrimos mão de ter o Pochmann como candidato a prefeito”, disse Fernandes.

"Na campanha [de Pochmann], vamos mostrar as coisas boas que foram feitas durante a gestão do governo Dr. Hélio enquanto partido esteve coligado, mas também vamos fazer críticas", disse Fernandes.

Perfil
Nascido no Rio Grande do Sul, Pochmann foi secretário de Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade da cidade de São Paulo, entre 2001 e 2004, durante a gestão da ex-prefeita e hoje senadora, Marta Suplicy (PT-SP).

Após o resultado das prévias, o economista pregou a união do partido durante discurso e declarou que o resutado não aponta “vencedores ou derotados”.

Segundo Ari Frnandes, Pochmann deve se desligar da presidência do IPEA até maio.

Em sua campanha nas prévias, o economista disse que ajudou a construir o PT no Rio Grande do Sul no início dos 1980 e citou a sua participação no governo Marta e nos governos Lula e da presidente Dilma Rousseff, pois o Ipea é uma fundação pública federal vinculada à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República.

“No governo da presidente Dilma temos contribuído no redesenho de políticas que conectam o Brasil com o futuro”, disse Pochmann.

“O projeto petista tem sido vitorioso como vemos no governo Lula e no governo Dilma. São governos comprometidos com a geração de empregos", declarou ele em seu material de campanha nas prévias divulgado pela internet.

Ele prometeu investir em saúde, educação e transportes da cidade.

O vereador Custódio esteve presente no local durante a apuração e levou seu apoio a Marcio Pochmann.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Campanha da Fraternidade foi lançada oficialmente na Câmara


À noite de quinta-feira, 29, marcou o lançamento da Campanha da Fraternidade 2012 que este ano tem como tema “Que a saúde se difunda sobre a terra”. O público compareceu em bom número e lotou o Plenário e pode conferir e interagir com a mesa composta pelo organizador do evento, vereador Custódio Campos; presidente da Câmara, vereador Marquinho da Bola; secretária de Saúde, Mônica Rosa Focesi; presidente do Conselho da Saúde, Eunice Retroz Bernarde; padre Paulo César, responsável pela Paróquia Sagrado Coração de Jesus (Matriz) e pelo Diácono e palestrante João Vicente.

Mais uma vez, o público compareceu em grande número e contou com a presença de várias comunidades católicas e de outras denominações.

Custódio que conduziu os trabalhos, relartou que foi procurado no início de seu mandato pelas lideranças católicas do município para que o Legislativo se engajasse no debate e aceitou promover a Campanha na Câmara. “A CF poderia ser debatida durante todo o ano e ainda quero ressaltar que o governo federal tomou a iniciativa para difundir a saúde no Brasil. A pergunta que devemos fazer é o que podemos melhorar na saúde a partir da nossa área de atuação?”.

A secretaria de Saúde, reconheceu que há problemas na saúde do município, mas que a atual administração não vem medindo esforços para saná-los e investindo em cursos para os funcionários da pasta.“Humanização” foi à palavra citada pela Secretária como um dos caminhos para levar a melhorias ao setor. Já Eunice Bernade, presidente do Conselho, também ressaltou que o Sistema Único de Saúde (SUS), aposta na “Humanização” para sanar parte dos problemas existentes.

O Diácono João Vicente apresentou palestra sobre saúde e os conceitos e objetivos da Campanha da Fraternidade 2012 e a integração entre governos, comunidades e pastorais que podem ser alcançadas.

Custódio encerrou o debate agradecendo a presença de todos e todas. “O dialogo é fundamental para que soluções sejam encontradas. Os objetivos aqui propostos foram alcançados e isso é muito importante. Obrigado a todos e todas que aqui compareceram”, finalizou.

Debate no João Aranha

A Comunidade Nossa Senhora Aparecida realiza no dia 16 de abril, às 19h30, mais um debate envolvendo o tema da Campanha da Fraternidade 2012. O evento é aberto a toda população!

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Encontro Estadual do Setorial de Mulheres do PT de São Paulo.

Aconteceu no último sábado, 31/3, o Encontro Estadual do Setorial de Mulheres do PT de São Paulo. Foram credenciadas 808 mulheres, o maior encontro setorial do Estado. O evento, concomitante com o encontro da Capital, elegeu as novas secretárias de mulheres Estadual e Municipal de São Paulo, além de seus respectivos coletivos e a delegação que vai representar o estado no Encontro Nacional de Mulheres, dias 4 e 5 de maio, em Brasília.

Contabilizados os votos, o resultado final para a disputa da Secretaria Estadual ficou o seguinte: Marta Regina Domingues, a Martinha, assessora da CUT e militante do PT de Santo André (Macro ABC), foi eleita Secretária Estadual de Mulheres do PT-SP, com 422 votos. Amélia Naomi, vereadora de São José dos Campos (Vale do Paraíba) teve 360 votos.

A chapa 1, “Unidade Feminista” teve 47,3% e vai indicar quatro mulheres para compor a próxima gestão de quatro anos do Celtivo de Mulheres do PT-SP. A Chapa 2 “Mulheres Paulistas, por um PT Feminista, de Massa, Plural e Democrático” teve 52,7% dos votos e fará seis indicações.

O Encontro elegeu 81 delegadas paulistas que participam do Econtro Nacional, tendo a seguinte proporção: 38 delegadas para a chapa 1 e 43 delegadas para a chapa 2.

Mulheres paulinenses também participaram do encontro. Elas se juntaram com a comitiva de Campinas e foram até São Paulo contribuir com o setorial. O mandato do vereador Custódio foi representado pelas mulheres de sua assessoria.

O ENCONTRO
As mesas de debate discutiram temas como a ampliação de políticas públicas voltadas às mulheres, reforma política, paridade de gêneros e empoderamento das mulheres. A ministra da Secretaria de Políticas para Mulheres, Eleonora Minicucci participou da mesa de abertura do evento.

Aplaudida de pé e sob o coro de “partido, partido, é das trabalhadoras”, Eleonora pontuou a necessidade de ampliação e fortalecimento das políticas públicas nos municípios, estados e em âmbito federal. “A Secretaria vai adequar as políticas da 3ª Conferência (realizada em dezembro), para o segundo Plano de Políticas para as Mulheres. (…) Outra questão que considero importante, da perspectiva da Secretaria é a repactuação dos estados nas políticas de enfrentamento à violência contra a mulher”.

A ministra expressou preocupação especial com o Estado de São Paulo. “É fundamnetal que nós batalhemos para consolidar o pacto de enfrentamento à violência. Aqui [São Paulo] ainda está distante da repactuação, seja pela postura do governo estadual ou nos governos municipais. Convido a todas para abraçar essa luta contra a omissão clara na implementação das políticas no enfrente e descentralização no âmbito do Sistema Único de Saúde(SUS), dos serviços de saúde para mulheres vítimas de violência, não podemos mais concentrar essas muheres no Pérola Byington”.

A deputada estadual Telma de Souza fez uma breve participação na mesa e destacou o papel protagonista do Estado de São Paulo, primeiro a receber a Procuradoria Especial da Mulher – espaço de debate contra a discriminação, o preconceito e o combate à violência. “Fico imensamente feliz com esse avanço que conquistamos e vamos avançar mais com a participação de todasw vocês, mulheres”.

O deputado Simão Pedro saudou a ação organizada pelas mulheres petistas. “Avançar dentro do PT e na sociedade como vocês tem feito, lutando contra machismo e intolerancia é fundamental. Vamos vencer em São Paulo e em todo o Estado com as mulheres do PT”.

Fernando Haddad, ex-ministro da Educação e pré-candidato a prefeito na cidade de São Paulo, pediu ousadia às mulheres petistas.“O PT está pronto para dar um salto na política de gêneros do país. Ousem porque o PT está preparado para receber suas propostas. Nunca vi o Partido a e sociedade tão abertos para ousar em políticas públiccas como hoje. Essa é uma marca do governo Lula, com os direitos humanos. Temos que unir forças para fazer essa agenda de igualdade de gênero uma agenda universal”, reforçou.

Haddad destacou o papel da mulher na sociedade e usou como exemplo sua esposa, Ana Estela Haddad – também presente no evento. “Eu tenho uma trajetória compartilhada com a minha companheira. Quando nos formamos fomos para o exterior juntos, voltamos para fazer carreira na Universidade de São Paulo juntos, fomos para o Governo Lula juntos, ficamos na gestão Dilma juntos e agora voltamos para lutar juntos por São Paulo”.

A deputada federal Janete Pietá reforçou o sucesso do encontro e fez três lembretes: o primeiro, que no dia 23 de abril vai acontecer em São Paulo uma Audiência da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre a violência contra a mulher. A presença das mulheres, segundo ela, é fundamental nesse debate. A segunda, foi um apelo de repudio a absolvição de um estuprador – caso de 2012, em Porto Ferreira. “Estupro nao é relativo, é violência, é crime”. Por fim, Janete pediu empenho na luta por uma reforma política. “Sem financiamento público de campanha e sem paridade e igualdade não teremos democracia”.

terça-feira, 3 de abril de 2012

II Encontro de Blogs e Redes Sociais: Inscrições abertas


Por Blogs do Alto Tietê
Terça-feira, 3 de abril de 2012

Já estão abertas as inscrições para o II Encontro de Blogueiros e Redes Sociais do Alto Tietê, que ocorrerá no dia 21 de abril, em Suzano. Grandes nomes do jornalismo e das mídias alternativas estarão nos debates deste que já se consolida como um dos maiores eventos de comunicação do Estado.

O encontro objetiva promover um grande debate sobre a democratização dos meios de comunicação, o potencial das mídias alternativas, a atuação dos usuários de redes sociais e escritores de blogs, além de debater a temática dos direitos humanos na internet.

O evento serve ainda para integração, troca de conhecimentos e entretenimento entre todos os participantes. Em 2011, na sua primeira edição, o encontro reuniu mais de 200 internautas na cidade de Poá. A expectativa dos organizadores é ultrapassar esse número nesta segunda edição.

Além dos palestrantes da região, já confirmaram presença os jornalistas Paulo Henrique Amorim, da Rede Record, e Heródoto Barbeiro, da Record News. Nos próximos dias, a programação completa será divulgada no blog oficial do evento.

As inscrições são gratuitas e os participantes devem preenchê-las em www.blogsdoaltotiete.blogspot.com. O número de vagas é limitadas, portanto, garanta logo sua presença.

O mandato petista apoia e defende o uso adequado das redes sociais na militância virtual e tem feito uso destas plataformas na construção de ações legislativas.

Fonte: http://www.pt-sp.org.br/

Seminário debate governança metropolitana



Além de especialistas e gestores públicos, o evento contou com a presença das ministras de Relações Institucionais da Presidência da República, Ideli Salvatti; do Planejamento, Orçamento e Gestão, Miriam Belchior; o ministro da Saúde, Alexandre Padilha; os presidentes dos Diretórios Nacional do PT, Rui Falcão; Estadual, Edinho Silva; senador Eduardo Suplicy; parlamentares e prefeitos(as).

Por Portal Linha Direta e Instituto Lula
Segunda-feira, 2 de abril de 2012

Avançar no pacto federativo. Esse foi o mote do Seminário Governança Metropolitana, organizado pelo Instituto Lula e Fundação Perseu Abramo (FPA). Toda a atividade foi transmitida em tempo real pela TV Linha Direta (www.pt-sp.org.br). O evento reuniu mais de 800 pessoas para debater formas de aperfeiçoar a cooperação entre os municípios de uma mesma área metropolitana e a relação entre cidades e diferentes esferas do poder público.

Além de especialistas e gestores públicos, o evento contou com a presença das ministras de Relações Institucionais da Presidência da República, Ideli Salvatti; do Planejamento, Orçamento e Gestão, Miriam Belchior; o ministro da Saúde, Alexandre Padilha; os presidentes dos Diretórios Nacional do PT, Rui Falcão; Estadual, Edinho Silva; senador Eduardo Suplicy; parlamentares e prefeitos(as).

1ª Mesa: Abertura

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Ideli Salvatti, foi uma das primeiras a falar e afirmou que pensar a questão metropolitana, dada a realidade do país, é uma obrigação de todos. “Cada vez mais, o pensar metropolitano é uma obrigação. Nos aglomerados urbanos temos inúmeros problemas, mas a oportunidades também são diferenciadas. A governança metropolitana é um exercício permanente de estruturar o compartilhamento do poder. Por isso o desafio é muito grande”.

O ex-ministro e diretor do Instituto Lula, Luiz Dulci, saudou o debate amplo e participativo, realizado independentemente das opções partidárias de seus agentes. “Esta é uma iniciativa, sim, do partido dos trabalhadores, mas aberta a outros agentes e com vistas a incrementar o debate”.

Presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, o deputado Rui Falcão, destacou que o desafio não está restrito ao Brasil. “Não há um modelo único de gestão metropolitana (…). Na Espanha, o governo de Madri sempre tentou impor sua vontade sobre os municípios menores, mesmo os que eram governados pelo mesmo partido (…). Na Alemanha, no Vale do Ruhr, com o esgotamento do carvão criou-se uma empresa de gestão privada, mas com controle acionário do governo central”.

O parlamentar chamou a atenção para o modelo adotado em São Paulo e apontou a falta de critérios e o não compartilhamento do poder como retrocessos no Estado. “São Paulo resistiu muito a avançar nesta questão. O estado é governado há 20 anos pela mesma trupe e por isso não gostaria de dividir o poder”. Rui concluiu afirmando que o objetivo da governança está bem definido, “é a melhoria da qualidade de vida da população”, faltam agora, ações concretas para colocar bons projetos em prática.

Edinho Silva, presidente do PT-SP e deputado estadual chamou a atenção para uma “reforma silenciosa”, que hoje está em andamento, e que de maneira autoritária, vai afastar qualquer possibilidade de participação popular nos governos. “A reforma do Estado não pode diminuir a autonomia dos municípios. Temos que otimizar recursos e dar respostas concretas aos problemas da população sem diminuir a autonomia dos municípios”.

O presidente da Fundação Perseu Abramo, Nilmário Miranda, destacou ações do Governo Federal que provaram a possibilidade de sucesso em ações participativas e de interesse popular. Ele deu como exemplo o Minha Casa, Minha Vida, que tramitou por 14 anos até conseguir aprovação. “Há uma resistência muito grande do poder econômico, que faz da cidade seu campo de atuação, em contradição permanente com os movimentos sociais. (...) Esta não é uma luta fácil. Tem obstáculos legais, institucionais”.

Paulo Okamotto, diretor-presidente do Instituto, lembrou que a atividade promovida é apenas o início de uma longa caminhada. “Quem sofre com a falta de uma melhor governança metropolitana é o povo, que gasta mais tempo pra trabalhar, sofre com a saúde, precisa quebrar a cabeça para encontrar escola para os filhos. Vamos ter que repensar se é o caso de mobilizar o movimento para fazer avançar esses temas da constituicao de 88. Vai ser preciso repartir o poder para fazer as coisas andarem”.

2ª Mesa: palestrantes debatem tendências e perspectivas

A primeira mesa de debates discutiu a relação entre os diferentes níveis de poder e a necessidade de participação popular na governança metropolitana foram destacados nas falas dos quatro convidados da mesa e pela moderadora, Selma Rocha, diretora da Fundação Perseu Abramo (FPA).

Olaf Merk, diretor do Departamento de Governança Territorial na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de Paris, trouxe exemplos mundiais de ações bem sucedidas. Ele levou em conta as divergências e individualidades encontradas na cidade. Ainda assim, mostrou que o debate aberto e o envolvimento dos poderes políticos, nas diferentes esferas, é fundamental para o desenvolvimento das metrópoles. “A arte da governança metropolitana colaborativa seria encontrar esse equilíbrio para que as metrópoles possam ter um papel cada vez mais importante na economia e também para o desenvolvimento humano como um todo”.

Merk lembrou também que muitas empresas têm papel fundamental na governança e que, portanto, a participação delas nesse debate não pode ser negligenciada. “As empresas trazem o bem-estar para as metrópoles, principalmente quando há concorrência, nas cidades globais. Mas isso abre o risco de que as grandes empresas façam lobby por seus interesses em detrimento dos interesses gerais”, diz.

Em seguida, foi a vez do coordenador do Mestrado em Planejamento e Gestão do Território da Universidade Federal do ABC, Jeroen Klink. De acordo com ele, não há um modelo único a ser seguido, há ações efetivas e outras que têm bons resultados, mas de maneira mais maleável. Daí a necessidade de estudar e debater cada uma das realidades. “A governança metropolitana coloca o conflito na mesa e tenta negociar. A questão central nas experiências de sucesso é a democratização”.

Luiz José Pedretti, secretário Executivo Fórum Nacional das Entidades Metropolitanas (FNEM), destacou em sua fala as ações do grupo, que aponta e articula ações efetivas nas melhorias das cidades. Segundo ele, a integração, a cooperação em diferentes níveis de poder, o uso de um sistema de gestão e o compartilhamento são os elementos essenciais para a boa produção da governança. “E tenho claro que unidos, esses ingredientes vão resultar na integração, na igualdade econômica e social, na sustentabilidade e uma série de objetivos da governança”.

Mesmo tendo conquistado um número crescente de adeptos – foram 170 milhões entre 1970 e 2010 – a FNEM tem num debate constante: a falta de um marco regulatório e da regulamentação de leis discutidas desde a Constituição de 1988.

Por fim, o coordenador nacional da União de Moradia Popular, Donizete Fernandes de Oliveira, ressaltou a importância a necessidade de ações em âmbito Federal e Estadual. No primeiro caso, de maneira positiva. Usando como exemplo o sucesso do Minha Casa, Minha Vida que, quando cumprir a meta de construção de 3,6 milhões de moradias, como ele mesmo destacou, deve sanar 50% da questão habitação no país. No segundo, lembrando da ausência governamental, que resultou mais recentemente no incêndio de uma estação da CPTM de Francisco Morato, na Grande São Paulo.

Oliveira apontou três pontos fundamentais ao sucesso da governança: a organização das famílias; o fortalecimento dos movimentos sociais; e a articulação política. “O Fórum Nacional tem muito a contribuir com esse debate. Há questões metropolitanas importantes que acompanhamento de perto, como é o consórcio das regiõpes metropolitanas, a atenção a água e aos recursos hídricos e o avanço nas políticas do Governo Federal”. E conclui: “Acho que cabe a discussão de transformar as regiões metropolitanas em um ente federativo”.

3ª Mesa: discute papel do Estado e necessidade de diálogo

A terceira mesa do Seminário Governança Metropolitana discutiu o papel do Estado e a necessidade do diálogo entre os diversos entes federativos e com a sociedade para acabar com os entraves para a instituição de uma verdadeira governança metropolitana, sem buscar um modelo único.

A ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, Miriam Belchior, defende que é inútil procurar um modelo único de região metropolitana. “É preciso discutir (…) qual a tarefa que cabe aos estados hoje. Qual é o papel de quem está espremido entre o poder federal e o crescente fortalecimento dos municípios”. Segundo ela, está acontecendo uma crise de identidade entre união, estados e cidades. “Estados disputam com municípios”, salienta.

Segundo a ministra, uma das orientações dos 8 anos do Governo Lula e agora de Dilma é enfrentar os problemas urbanos. “Em 2003, o presidente Lula deu o primeiro sinal da preocupação de seu governo com o tema, que foi a criação do Ministério das Cidades, Esse foi um sinal claro de que o governo passaria a tratar os municípios de maneira diferente. Queria citar outras duas iniciativas institucionais centrais para essa articulação entre as esferas de governo. A primeira é a lei dos consórcios públicos e a segunda o Comitê de Articulação Federativa. Em 2007, com o PAC demos o passo mais importante nesse apoio aos municípios (…) Foi uma mudança fundamental entre o que existia antes do PAC e depois do PAC”.

Mário Reali, prefeito de Diadema e presidente do Consórcio Intermunicipal do ABC, explica que o órgão faz o diálogo do Consórcio do Conselho Metropolitano. “Nos anos 90, nossa preocupação era o ABC se transformar numa Detroit, hoje é o contrário, estamos recebendo investimentos. Hoje direcionar esses investimentos é o grande desafio. Por isso, criar mecanismos de gerenciamento é essencial”.

Segundo ele, é essencial buscar soluções regionais para problemas como os de saneamento. “A gente precisa criar condições de respeito e cooperação entre os entes federados (…). Esses elementos são chaves para criar uma governança com cooperação. O consórcio não é a solução para todos os problemas, mas traz a perspectiva do diálogo e do fortalecimento”.

Arthur Henrique, presidente Nacional da CUT, defende que é necessário retomar o debate do planejamento do ponto de vista do Estado, já que o momento é de articulação da jornada de desenvolvimento do Brasil. “Precisamos pensar na questão da mobilidade na metrópole e temos que discutir vocações de cada região”.

Segundo ele, os trabalhadores levam cada vez mais tempo se locomovendo de suas casas para o trabalho. “O Dieese calcula que os trabalhadores hoje levam em média três horas por dia para ir e voltar ao trabalho (…) Estamos falando aqui de qualidade de vida. Queremos trabalhar pra viver ou viver pra trabalhar?”.

Vicente Trevas, membro da coordenação do Observatório dos Consórcios Públicos Federativos, acredita que o Brasil está vivendo um momento especial, de grande oportunidade, para enfrentar os problemas metropolitanos. “Há um novo ciclo histórico que abre oportunidade para essas discussões. Estamos tentando superar uma construção histórica que foi militar, autoritarista e patriarcal. O Estado Brasileiro vai ter de se redesenhar, se repactuar para ganhar sinergia, porque uma de suas características básicas é a fragmentação”.

Para Trevas, não é possível construir uma governança metropolitana sustentável se não ficarem explícitas as premissas dessa sustentabilidade.

4ª Mesa: Saúde, sustentabilidade e planejamento marcam encerramento do seminário Governança Metropolitana

A mesa “A Política Setorial e a Agenda Metropolitana. Novas perspectivas para a inovação”, quarta e última do Seminário Governança Metropolitana, discutiu as cidades sustentáveis e o alto custo com que a concentração dos investimentos e serviços no centro tem onerado a cidade.

Alexandre Padilha, ministro da Saúde, acredita que existe hoje uma base real para desconcentrar polos urbanos. “Estamos em um momento positivo. Nenhum município sozinho tem condições de prover as condições para prover aquilo que está estabelecido na Constituição, que é o direito à saúde”.

Segundo o ministro, a Saúde tem dois grandes desafios. “Primeiro, precisamos reorganizar o conjunto de serviços que são a principal porta de entrada para o SUS é o grande desafio. Você precisa ter um conjunto de modelos diferentes. Segundo, precisamos tratar os temas contemporâneos que impactam a realidade do país e são mais frequentes nas regiões metropolitanas, como a obesidade, por exemplo. Metade da população brasileira está acima do peso, e 15% é obesa. Ter atividade física é exclusividade de quem tem acesso a academia particular ou a parques muito bem cuidados, que são aqueles que estão no centro”.

De acordo com ele, o Brasil é o único país do mundo com mais de 100 milhões de habitantes que assumiu o desafio de prover saúde pública gratuita para todos. “Para atender esse desafio, é preciso inundar as faculdades com alunos da periferia e da classe C. Nós vamos fazer um grande estímulo para a criação de faculdades de medicina nas regiões metropolitanas”.

O deputado federal José de Filippi acredita que uma cidade sustentável prioriza o transporte público e não o motorizado. “O desafio da Zona Leste é levar um Uruguai para trabalhar no centro de manhã e depois trazer esse Uruguai de volta para casa à noite”. Segundo ele, na última década, a cidade de São Paulo construiu uma média de 2,2km de metrô/ano. “O metrô de São Paulo não é metropolitano de verdade, nem chega a sair da cidade de São Paulo. A proposta [do governo atual] até 2030 não prevê nenhum transporte de alta capacidade até Guarulhos. Quase 22% do PIB brasileiro está na região metropolitana de São Paulo. Ela não pode ser tratada assim”.

Nabil Bonduki, professor de Planejamento Urbano da USP e secretário nacional de Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, defende que metrópole parte do pressuposto que existe uma polarização exercida por uma cidade central, a metrópole. “São Paulo e Rio são as regiões metropolitanas stricto sensu, além disso, existem metrópoles regionais. Nós temos um caminho muito grande pra trilhar no país, para repensar essa estrutura territorial e avançar nas políticas públicas do país”.

Fonte: http://www.pt-sp.org.br/